sábado, 31 de outubro de 2009


O PESO DA VERDADE

Pr. Sérgio Queiroz

Como é difícil falar a verdade! Não menos difícil é ouvi-la e aceitá-la como expressão da vontade de Deus. Que desafio nos foi dado enquanto filhos do Senhor! O desafio de sermos propagadores da verdade.
Jesus Cristo disse de si mesmo: “Eu Sou o Caminho a Verdade e a Vida e ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14.6). Dando sentido mais amplo a essas palavras, o Senhor também afirmou: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João 8.32). A verdade de Deus é espada cortante, mas produz vida; é dura, mas gera quebrantamento e arrependimento; é considerada uma ilusão, mas deve ser um projeto de vida a ser seguido por nós; é reputada como sendo antiquada, mas tem como atributo a durabilidade eterna.
Como é difícil falar a verdade! Como é duro dizermos não, quando se espera um sim; e sim, quando se espera um não. Como é doloroso romper um namoro de muitos anos, em nome da verdade de que não há mais amor e confiança. E como a falta dessa verdade, dita no tempo oportuno, pode se transformar em um casamento cheio de frustrações.
Como é difícil falar a verdade! Como é difícil confessar um pecado ao outro, pelo medo da rejeição; e como é difícil exercitarmos a sinceridade, e dizermos o quanto amamos aqueles que, muitas vezes, nos odeiam. Como é difícil!
Vivemos um tempo de superficialidade, onde os verdadeiros amigos são aqueles que nos deixam viver a vida como queremos; os verdadeiros pastores são os que levantam a nossa auto-estima e não apontam as nossas iniqüidades; os bons pais são os que não se metem nas nossas paradas. A verdade vem sendo fragmentada em nome do “respeito às diferenças”, da “liberdade de expressão”, do respeito às “fases rebeldes da adolescência”, das “teologias contemporâneas”. Como é difícil falar a verdade!
Como é difícil perdemos amigos, empregos, posições sociais e políticas, por dizermos e vivermos a verdade. Atônito em razão do peso da verdade sobre os seus ouvintes, Paulo chegou a questioná-los: “Fiz-me, acaso, vosso inimigo, por vos dizer a verdade?” (Gálatas 4.16).
Como filhos da Verdade, não abramos mão de vivê-la até os últimos limites. Afinal, o Deus da Verdade sempre se comprometerá com os seus efeitos. É difícil, mas é possível!
Graça e Paz!


http://www.cidadeviva.org/index.php?option=com_content&task=view&id=44&Itemid=128

A Bíblia e o Celular

Já imaginou o que aconteceria se tratássemos a nossa Bíblia do jeito que tratamos o nosso celular?


E se sempre carregássemos a nossa Bíblia no bolso ou na bolsa? E se déssemos uma olhada nela várias vezes ao dia?


E se voltássemos para apanhá-la quando a esquecemos em casa, ou no escritório...?


E se a usássemos para enviar mensagens aos nossos amigos?



E se a tratássemos como se não pudéssemos viver sem ela?


E se a déssemos de presente às crianças?


E se a usássemos quando viajamos? E se lançássemos mão dela em caso de emergência?


Ao contrário do celular, a Bíblia não fica sem sinal.


Ela pega em qualquer lugar.


Não é preciso se preocupar com a falta de crédito porque Jesus já pagou a conta e os créditos não têm fim.


E o melhor de tudo: não cai a ligação e a carga da bateria é para toda a vida.


Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto! (Is 55:6)*




NELA ENCONTRAMOS ALGUNS TELEFONES DE EMERGÊNCIA:


Quando você estiver nervoso, ligue Salmo 51.


Quando você estiver preocupado, ligue Mateus 6:19,34.


Quando você estiver em perigo, ligue Salmo 91.


Quando Deus parecer distante, ligue Salmo 63.


Quando sua fé precisar ser ativada, ligue Hebreus 11.


Quando você estiver solitário e com medo, ligue Salmo 23.


Quando você for áspero e crítico, ligue 1 Coríntios 13.


Para saber o segredo da felicidade, ligue Colossenses 3:12-17.



Quando você sentir-se triste e sozinho, ligue Romanos 8:31-39.


Quando você quiser paz e descanso, ligue Mateus 11:25-30.


Quando o mundo parecer maior que Deus, ligue Salmo 90.




RECEBI ESSA RELAÇÃO DE TELEFONES DE EMERGÊNCIA E ACHEI POR BEM COMPARTILHAR COM AS PESSOAS ESPECIAIS COMO VOCÊ !


Anote em sua agenda, um deles pode ser IMPORTANTE a qualquer MOMENTO em sua VIDA!!!


Repasse para seus contatos... Pode ser que um desses números de emergência salve uma vida.
... que Deus o abençoe...
Reina Sobre Mim
Nivea Soares
Correrei para ti meu Senhor, Minh'alma anseia por ti.
Sou um pobre cego e nú nada tenho pra te oferecer.
Quero aos teus brraços me entregar, pois sei que tu me aceitas como eu sou.
Preciso do teu ouro, purifica-me Senhor...

Reina sobre mim, eu me rendo a ti, eu me rendo a ti.
Reina sobre mim, sou tua noiva espero e anseio por ti.

Correrei para ti meu Senhor, Minh'alma anseia por ti.
Sou um pobre cego e nú nada tenho pra te oferecer.
Quero aos teus brraços me entregar, pois sei que tu me aceitas como eu sou.
Preciso do teu ouro, purifica-me Senhor...

Reina sobre mim, eu me rendo a ti, eu me rendo a ti.
Reina sobre mim, sou tua noiva espero e anseio por ti.

Correrei para ti meu Senhor, Minh'alma anseia por ti.
Sou um pobre cego e nú nada tenho pra te oferecer.
Quero aos teus brraços me entregar, pois sei que tu me aceitas como eu sou.
Preciso do teu ouro, purifica-me Senhor...

Reina sobre mim, eu me rendo a ti, eu me rendo a ti.
Reina sobre mim, sou tua noiva espero e anseio por ti.




Com elenco estelar, ‘Flordelis’ conta a história da mulher que adotou 37 crianças
Filme tem Reynaldo Gianecchini e Alinne Moraes, entre outros atores.Longa entra em cartaz nesta sexta; dinheiro será investido em casa.
Débora Miranda Do G1, no Rio

Foto: Ag. News
Flordelis, personagem-título do filme exibido nesta terça no Festival do Rio (Foto: Ag. News)
“Essas crianças não são estatísticas, são meus filhos.” Foi com essa frase que Flordelis, protagonista do filme que leva seu nome, arrancou aplausos da plateia do Cine Odeon, na noite desta terça-feira (6)*, em exibição que fez parte da programação do Festival do Rio. O filme entra em cartaz na próxima sexta.

“Flordelis – Basta uma palavra para mudar” conta a história real de uma mulher, moradora da favela do Jacarezinho, no Rio, que adotou 37 crianças e as criou junto de seus quatro filhos biológicos. Mas além da óbvia complexidade em se ter 41 filhos dentro de casa, Flordelis enfrentou outras adversidades em sua jornada, retratadas no filme e narradas por ela mesma.

Seu trabalho começou com o projeto batizado de “Evangelismo da madrugada”, que consistia basicamente em sair de casa toda sexta-feira à meia-noite, perambulando de favela em favela do Rio de Janeiro, tentando resgatar jovens envolvidos no tráfico de drogas. Flordelis ficou famosa por seu trabalho de recuperação, até que as próprias mães, quando não tinham condições de criar os filhos, passaram a procurá-la pedindo ajuda.

As adoções de fato começaram após uma ida à Central do Brasil, no meio da noite. Flordelis encontrou uma mãe que havia tido bebê há apenas 15 dias e que confessou ter jogado a criança no lixo. Ela resgatou a menina e, dias depois, um grupo de crianças foi até sua casa, buscando a segurança e a estabilidade de um lar. As portas estavam abertas e foi assim que a família de Flordelis cresceu. Literalmente da noite para o dia.

Mas a iniciativa de ajudar os outros lhe trouxe problemas. Sem a documentação exigida pela Justiça para regularizar a situação das crianças, ela passou a ser perseguida e chegou a ter que deixar sua casa com os filhos, para não ser presa como sequestradora. “Foi difícil [fazer esse filme]. Tive que me lembrar de coisas que eu não queria mais lembrar, como a morte do meu filho, as fugas e a época em que moramos na rua. Mas hoje vejo que tudo valeu a pena”, ela comentou no início da sessão, antes de ter visto o filme pronto.

O elenco de “Flordelis” é um capítulo à parte: Reynaldo Gianecchini, Cauã Reymond, Alinne Moraes, Pedro Neschling, Erik Marmo, Letícia Sabatella, Fernanda Lima e Ana Furtado, entre outros. Cada um deles revive, em formato de depoimento, os dramas de alguns dos filhos de Flordelis, enquanto que ela própria, como que uma verdadeira “supermãe”, narra o drama de sua vida e se encarrega de deixar mensagens de otimismo e fé.

Nenhum dos atores recebeu cachê para fazer o longa, e o projeto foi criado com a intenção de que o lucro da bilheteria seja investido no que atualmente é o maior sonho da vida de Flordelis: sua casa própria. “Embora pareça loucura morar na favela e adotar esse monte de crianças, eu não fui atrás deles na rua. Eles vieram até mim, um a um, como presentes de Deus. E um presente como esse a gente não pode recusar”, afirma.

Antes de a sessão ter início, Flordelis chamou os filhos um a um no palco, pelos nomes. “Para chegar até aqui fui conhecida como doida. Mas quero dizer que ser doida é muito bom.” No fim, estava abalada e emocionada. “Mostramos a verdade, tudo o que nós passamos. Que sirva de exemplo para outras pessoas.”

*06/10/09

http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/0,,MUL1332142-7086,00.html


Trailer do filme ''Flordelis Basta uma Palavra para Mudar"
http://www.youtube.com/watch?v=ccMKPWUWo4I

Seu nome é Flordelis
Virgínia Rodrigues

Quem olha para sua aparência frágil e pequena, nem se dá conta de que está diante de alguém que arriscou a vida para salvar gente desprotegida de tudo e de todos.
Jacarezinho, subúrbio do Rio de Janeiro. Uma garota ocupa seu tempo percorrendo a favela. Vai sozinha; leva apenas coragem e uma proposta séria de apresentar as “boas novas” do Evangelho aos que têm sede de pão e de justiça. Depois de crescida, ela rompe paradigmas, resgata corpos e mentes desnutridos, amontoa crianças dentro de casa, é chamada de seqüestradora, enfrenta bandidos, a própria Justiça, e faz de sua vida uma prova viva do que é ser legitimamente cristão.
Hoje, vivem em sua casa a paz, a alegria e 40 crianças, sendo 37 adotadas. Sempre acompanhada do marido, o pastor Anderson do Carmo, Flordelis, além do reconhecimento por seu trabalho, colhe os frutos de tantas lutas e conquistas: o amor de seus filhos, o orgulho de vê-los crescer com educação e afeto, a total cumplicidade no casamento e a amizade de famosos e anônimos, que foram se juntando à sua missão.
Perguntada sobre como faz para manter tanta criança vestida e alimentada, Flordelis não vacila: “Deus me deu a voz, o dom de cantar”. E o crescimento do ministério como cantora não só a ajuda no sustento da família – ela vende seus CDs pelas igrejas – como vem gerando apoio e respeito da mídia e do segmento artístico.
Depois de todos esses sonhos realizados, Flordelis não se esquiva de mais uma responsabilidade proposta por Deus em sua vida. No cinema, em um longa-metragem, terá a sua história contada por um elenco, literalmente, “fantástico”. Glória Maria, Reynaldo Gianecchini, Thiago Lacerda e as Letícias Spiller e Sabatella estão entre os atores que se ofereceram para propagar o emocionante trabalho de Flordelis.
Seu DVD de estréia como cantora será gravado no Canecão, a convite dos proprietários da casa de shows mais importante do Brasil. E, mesmo que diga que seu corpo está cansado de tantas batalhas, ela não pára de trabalhar um só instante. Com sua habitual simplicidade, revela: “Sempre há de existir uma força maior para quem quer realmente transformar o mundo”.

ENFOQUE – Você sempre valorizou as crianças em sua vida, mas como foi sua infância?
FLORDELIS – Normal. Eu devia ter uns três anos quando minha mãe se tornou evangélica e, depois, meu pai. Éramos cinco filhos e vivi dificuldades que toda família pobre passa. Mas também vi a situação de outras crianças que não tinham o mesmo privilégio que eu – uma mãe e um pai presentes.ENFOQUE – E como era a Flordelis criança?FLORDELIS – Minha mãe diz que eu era quietinha. Fui criada na igreja e aos 12 anos já dirigia um trabalho de libertação. Meu pai era músico e formou um conjunto musical chamado Grupo Angelical, no qual eu cantava e viajava pelo Brasil. Era maravilhoso, e isto durou até os 14 anos. Um dia, na Via Dutra, o grupo sofreu um acidente e só sobraram eu e meu irmão. Depois de superar a tragédia, continuei a fazer meu trabalho missionário.

ENFOQUE – Alguma vez aconteceu algo que fez você sentir que iria trabalhar com crianças?FLORDELIS – Acho que eu já tinha um chamado de Deus para isso, mas aconteceu meio que por acaso. Eu me criei dentro da favela, no meio do tráfico de drogas, vendo amigos morrendo, e o que mais me espantava era a omissão das mães. Achava que elas podiam fazer mais que chorar ou se queixar. Quando me tornei adulta, resolvi fazer esse papel, agir por aqueles filhos. E aí comecei a andar sozinha de madrugada pela favela.

ENFOQUE – Mas você tinha algum apoio da igreja?
FLORDELIS – Não. Era algo independente. As pessoas tinham medo quando se falava em tráfico de drogas. Isso foi por volta de 1990. Quando se cogitava em evangelismo na madrugada, todos se assustavam, porque ninguém queria colocar a vida em risco. Aí, decidi ir sozinha. E como sexta-feira é o dia de maior movimento nas favelas, ia para a rua à meia-noite e andava no meio deles, conversando com os meninos mais novos. Queria entender o que os levava para as ruas, a cheirar cocaína, fumar maconha. Eram meninos de 10 e 11 anos e era assustador.

ENFOQUE – Traçando um paralelo entre os anos 90 e hoje, você acha que os riscos de fazer um trabalho como esse, na favela, são os mesmos?
FLORDELIS – Acho que os perigos são os mesmos. Tive o risco de morrer, sofri ameaças e recebi mandado até do Bangu 1 para ser assassinada. Minha mãe e minha família fugiram de casa para não serem assassinadas. Eu enfrentei a situação porque queria provar para aqueles garotos que o que estava fazendo era o melhor para a vida deles.

ENFOQUE – E isto ainda sem o suporte da igreja?
FLORDELIS – Levou uns sete meses até que eu conseguisse convencer as pessoas a fazerem alguma coisa. Na época, fui até chamada de missionária do Comando Vermelho só porque a favela era do Comando Vermelho. Mas as coisas somente começaram a mudar quando os irmãos puderam ver a glória de Deus naquele lugar.
Houve uma guerra entre os traficantes do Comando Vermelho e do Terceiro Comando. As pessoas que moravam na favela do Jacarezinho não podiam atravessar para a favela de Manguinhos e, como alguns meninos foram expulsos, fugindo para Manguinhos apenas com a roupa do corpo, suas mães começaram a me pedir ajuda. Eu lhes disse que poderiam levar roupas e tudo o que fosse preciso para os filhos delas do outro lado. Peguei minha Bíblia, atravessei a pista e fui. Quando voltei, o Cocada, que era o chefão da favela, estava me esperando com os comparsas dele para me matar. Ele alegou que eu não tinha o direito de atravessar para o lado inimigo sem autorização para isso e que ele era o dono do morro.
Naquela hora, vi a autoridade do Espírito Santo e disse que ele não era dono de nada, não era dono nem do próprio nariz. Era só dono da boca-de-fumo, e quem era dono de minha vida era Jesus. Ele me achou louca porque naquela semana tinha assassinado uma evangélica, desfilando com seu corpo dentro de um carrinho pela favela. Por isso me achou doida por tê-lo enfrentado, mesmo sabendo daquele episódio. Disse que estava perdendo tempo com uma maluca e foi embora. E eu continuei fazendo o meu trabalho missionário.

ENFOQUE – E como surgiu a história das crianças em sua vida?
FLORDELIS – Depois de algum tempo, uns jovens da igreja batista e de outras denominações vieram à minha casa e pediram para participar daquele trabalho. A gente se encontrava às sextas-feiras, orava e saía para as ruas. Um dia, um menino foi colocado no paredão da morte pelos traficantes e a mãe dele foi até a minha casa para pedir oração. Na verdade, ela queria oração por ela, e não pelo filho. Queria pedir consolo para seu coração, mas nada por ele. Era isso que eu percebia nas mães, sempre omissas. Eu orei. Mas como oração é ação, eu disse que ia atrás do filho dela, ia tentar fazer alguma coisa. Fui andando pela favela, procurando onde estavam os bandidos, e achei o “bonde”. Eles me receberam, achando que eu tinha ido evangelizá-los. Só que eu falei que tinha ido orar por um menino que eles iam matar naquele dia. O gerente do tráfico que comandava o grupo deixou eu passar e encontrei o menino amarrado, machucado.
Era um adolescente de uns 13 anos. Orei por ele e, quando terminei, pedi ao gerente do tráfico para soltá-lo, o que eu só conseguiria se fosse falar diretamente com o chefe geral. Fui também até ele, que zombou de mim, surpreso com minha audácia. Afirmei que tinha ido ali para dar uma ordem de Jesus e ofereci a minha vida em troca da vida do menino, caso ele fizesse alguma coisa errada. Ao ser solto, levei-o para minha casa. Aquilo me deu mais forças para continuar e fez com que outros grupos de oração viessem se juntar comigo no trabalho da madrugada. Depois acabei indo evangelizar na Central do Brasil.

ENFOQUE – Foi uma expansão de seu trabalho?
FLORDELIS – Sim. Mas fui para a Central do Brasil com um objetivo e Deus agiu totalmente diferente. Na ocasião, fui procurar uma menina da favela que tinha fugido de casa por causa de drogas e a notícia era de que ela estava perambulando pela Central do Brasil. Cheguei lá e me deparei com um monte de crianças no calçadão e muitas mulheres com crianças no colo. Olhei aquela cena, tentando entender o que era aquilo. Era algo que a gente vê na televisão, mas desconhece pessoalmente. Vi um casal de bebês gêmeos com a mãe dando uma lata de leite condensado com uma colher. Fiquei paralisada. As pessoas passavam por ali e ninguém fazia nada, sequer olhava. Em seguida, vi uma menina drogada, meio louca, porque ela ria e chorava ao mesmo tempo, pertinho dos nenês.
Fui para o ponto de ônibus para ir embora, mas a cena não saía da minha cabeça. Decidi voltar. Comecei a conversar com aquela menina, perguntando sobre o que estava acontecendo. Ela contou histórias de sua vida pessoal e revelou que estava de resguardo. Eu perguntei sobre o bebê e ela disse que tinha acabado de jogar no lixo. Pedi que me levasse ao local e ela me acompanhou até um terreno baldio, onde estava uma menina com 15 dias de nascida. Peguei a criança e levei-a para casa, junto com a mãe, mas ela não quis ficar. Largou o neném comigo e foi embora. E eu ganhei aquele presente de Deus.

ENFOQUE – Foi dessa forma que você começou a levar crianças para sua casa?
FLORDELIS – Foi. Dois dias depois, voltei à Central do Brasil para procurar aquele casal de gêmeos. Quando cheguei, fazendo o que chamávamos de Arrastão de Deus, evangelizando, orando e ajudando, soube que os bebês tinham ido para o hospital Souza Aguiar porque estavam muito doentes. Lá, uma pessoa acidentada havia acabado de chegar e, com a distração dos encarregados da entrada, passei de fininho, subi as escadas e fui para a enfermaria de crianças. Achei os bebês e passei a visitá-los por 18 dias. Quando receberam alta, pensei em devolvê-los à mãe, que eu conhecia. Só que as crianças eram portadoras do vírus HIV e a médica disse que se eles voltassem para a rua, iriam morrer. Resultado: levei mais duas crianças para casa.

ENFOQUE – Como foi ampliar o tamanho de sua família?
FLORDELIS – Em 1994, teve uma matança de crianças na Central do Brasil, quando um policial, de dentro de um carro, atirou em algumas delas. Matou uma menina de 1 ano e 6 meses e um menino de 11 anos e ainda baleou outros que, graças a Deus, não morreram.
Naquela madrugada, lembro que fui até a Central do Brasil para ver se a história que estavam me contando era verdade. Lá, vi as crianças mortas e, entre os feridos, havia uma menina de três anos, ainda viva, com uma bala alojada no fígado. Naquela ocasião, uma mãe foi pedir minha ajuda e, de uma só vez, fiquei com 37 crianças, morando numa casa pequena na favela do Jacarezinho.

ENFOQUE – O que você pensava diante dessas dificuldades?
FLORDELIS – Acho que tudo o que acontece em nossa vida tem dois lados: o negativo e o positivo, e a gente deve sempre olhar mais para o lado positivo. Tem que tirar um aprendizado das coisas. Eu nunca fui de ter pensamentos de derrotas, de fracassos. Segui minha vida, fazendo a obra de Deus, que me preenchiam e preenchem até hoje.

ENFOQUE – E como aconteceu o Anderson em sua vida?
FLORDELIS – Anderson veio da igreja batista, interessado no trabalho missionário que eu fazia na favela. Ele bateu na minha porta com outros jovens e disse que queria passar as mesmas experiências, viver as mesmas coisas que eu vivia. Começamos a fazer evangelismo na madrugada, ele foi se envolvendo cada vez mais com a gente, subindo o morro, ajudando as pessoas. Depois de um tempo, nos casamos e vivemos algo muito louco e muito lindo, uma coisa de Deus.
Momento de descontração de algumas das 37 crianças adotadas por Flordelis: a história de coragem da missionária virou filme e estréia em 2008
Momento de descontração de algumas das 37 crianças adotadas por Flordelis: a história de coragem da missionária virou filme e estréia em 2008
ENFOQUE – Tendo quatro filhos seus e mais as crianças abrigadas por você, como foi o processo para ficar definitivamente com eles?
FLORDELIS – No início de 1994, eu tinha 37 crianças em uma casa pequena na favela. Havia um grupo de extermínio me procurando – era o pessoal lá da Central do Brasil que achava que eu sabia algo contra eles. Depois passamos por uma luta com o Juizado de Menores porque eu era uma mulher da favela cuidando de crianças em excesso. Foi quando apareceu o Betinho, do Ação pela Cidadania, que colocou minha história na televisão, pedindo ajuda. Até então, ninguém me conhecia. Quando apareci na mídia, o Juizado soube e determinou que eu não podia ficar com as crianças por ser pobre e favelada. Disseram que elas iriam para um abrigo, que os irmãos seriam separados etc.
Eu disse ao juiz que não entregaria as crianças e ele me pressionou dizendo que era uma autoridade. Eu me apresentei, dizendo que me chamava Flordelis, serva de um Deus vivo, que é o Juiz dos juízes, autoridade maior no céu e na terra, e que ninguém pegaria minhas crianças. Ele expediu um mandato de prisão por desacato à autoridade, busca e apreensão das crianças. Só que Deus abriu a porta de uma casa em Irajá e eu fugi para lá. Larguei mobília, saí com a roupa do corpo e fiquei escondida por quatro meses.
Como é impossível se esconder com muitas crianças, o Juizado acabou me achando. No dia eu não estava em casa. Estava com Betinho e meu marido. Ao chegar, meu filho Carlos estava na rua me esperando e deu a notícia. Comecei a chorar, achando que tinham levado meus filhos. Mas ele me acalmou, dizendo que todos tinham fugido pelos fundos da casa enquanto as autoridades batiam na porta da frente. Estavam todos na pracinha de Irajá me esperando. Como não podíamos mais voltar para casa, dormimos na rua. Certa noite, acordamos de madrugada com um monte de bandidos ao redor, querendo saber o que eu estava fazendo ali. Eu disse que só queria dormir e, quando amanhecesse, iríamos embora. Quando o dia clareou, a associação de moradores de Parada de Lucas nos deu abrigo e ali ficamos escondidos por mais quatro meses. Eu acabei saindo em vários jornais do Rio como seqüestradora de crianças.

ENFOQUE – Como você conseguia alimentar e cuidar de tantas crianças?
FLORDELIS – Durante três meses, o Ação pela Cidadania, do Betinho, me ajudou. Enquanto eu estava no Jacarezinho, a comunidade me ajudava muito, até nas fugas. Um dia, apareceu um moço chamado Pedro Werneck, que tinha visto a reportagem na televisão. Ele passou a me dar 50 reais semanalmente. Mas era uma ajuda anônima. Quando o jornal me colocou nas manchetes como seqüestradora, ele parou com a ajuda.
Decidi ligar para ele e me explicar, contando minha verdadeira história. Pedro diz que o que o convenceu naquele tempo foi quando eu disse que jamais abriria mão de meus filhos. Ali, ele mudou de idéia e resolveu me ajudar a pagar o aluguel de uma casa. Dessa vez, fomos todos para Rio Comprido. Ele é quem foi conosco ao Juizado de Menores e se responsabilizou por tudo. O juiz não era mais aquele que tinha mandado me prender. No lugar dele estava Ciro Darlan, que disse que havia oito processos contra mim. Propôs fazer um acordo caso eu conseguisse fazer tudo o que o Estatuto da Criança exigia, em um período de 30 dias. Cumpri tudo!
Doutor Ciro foi pessoalmente à minha casa ver tudo de perto e ficou surpreso. Sempre fomos uma família. Cada um tem as suas próprias coisas e é responsável por elas. A individualidade faz surgir a responsabilidade. Por isso, lutei para que meus filhos não fossem para abrigos, porque lá as crianças não têm histórias, não têm seu canto, sua privacidade. Uma criança sem história é um adolescente sem sentimento. Assim, para eles, matar e viver são a mesma coisa.
Quando doutor Ciro viu minha família, se emocionou e aí me deu a guarda das crianças. Só que entrar com o pedido de adoção era bem mais difícil. Tive de me tornar primeiro uma instituição. Foi quando nasceu a associação Lar Família Flordelis. Tudo porque não abria mão de ficar com meus filhos.
Muitos me chamaram de louca, pensando em como eu ia sustentar tanta criança. Como tinha parado de cantar nas igrejas, depois do acidente com o Grupo Angelical, decidi voltar e comecei a vender os CDs que meus próprios filhos me ajudaram a produzir. Hoje, meus filhos dizem que querem trabalhar para ajudar em casa, mas eu respondo que quero que eles estudem e se preparem para dar o melhor para a família deles. Costumo dizer a eles: “Quem precisa ir à luta e trabalhar por vocês sou eu, como mãe, e o pai de vocês”. Agora é nossa vez de trabalhar para dar um futuro limpo para todos eles.

ENFOQUE – E as igrejas, passaram a valorizar mais seu trabalho?
FLORDELIS – Sim. Eu comecei a ser convidada para contar as experiências pelas quais tinha passado na favela. Às vezes, a mesma igreja que fechara a porta para mim, numa outra época, resolvia agora me convidar. Infelizmente, a discriminação é muito grande com a criança de rua. Quando um grupo que evangelizava comigo soube que meus bebês tinham HIV, sumiu. É fato: crianças, quando vêm da rua, não vêm saudáveis, mas trazem doenças, sarna, são usuárias de drogas. Então, as mães proibiram os filhos de irem à minha casa. Eu já era vista como louca no meio do povo de Deus, mas nada me fez parar. Deus trabalha no tempo. Hoje, o casal de gêmeos foi negativado do HIV e os dois até apareceram no Fantástico. A partir daí, muitos foram me convidando para pregar e cantar.
Foi Pedro Werneck, que nem é evangélico, que acreditou em mim e me ajudou a gravar o primeiro CD. É com esta venda que consigo manter minha casa.

ENFOQUE – E como aconteceu sua projeção entre os artistas?
FLORDELIS – A irmã da Marlene Mattos tinha ido a uma igreja e ouviu alguém comentando sobre meu testemunho. Na época do Dia das Mães, eles me ligaram para participar do programa da Xuxa, mas eu achei que era trote. Só que era verdade, e eu acabei sendo homenageada como a mãe do Brasil em uma gravação que durou 25 minutos. Dali em diante fui conhecendo todo o mundo. O produtor artístico Marco Antonio Ferraz assistiu ao programa da Xuxa no aeroporto e já ligou para mim. Isso foi no ano 2000.

ENFOQUE – O segmento artístico teve que tipo de reação?
FLORDELIS – O Marco Antônio passou a freqüentar minha casa e gostar das crianças. Só que ele não acreditava na minha história. Estava me investigando. Até que um dia eu o chamei para ir comigo ao Jacarezinho. Quando subimos, ele começou a ficar assustado, vendo os garotos armados. Tinha um grupo que havia acabado de chegar de um “ganho” muito bom e estava festejando naquela madrugada. Eu fiquei feliz por poder estar ali e orar com eles. Mas era uma turma nova que não me conhecia muito bem. Mesmo assim, me apresentei e comecei a falar de Jesus. Aí chegou o chefe do tráfico, querendo saber o que estava acontecendo e eu disse que era a missionária Flordelis, que queria orar por ele, e que ele precisava mudar sua mentalidade. Ele me respeitou e Marco ficou olhando.
Só que eles estavam indo matar um menino entre 12 e 13 anos e eu vi o garoto, já sem roupa e com as mãozinhas amarradas. Olhei para o chefe, olhei para o menino, e assim ficamos. Até que ele deu ordem para soltar a criança, que ouviu deles que só não tinha morrido por causa da “tia” de Deus. Marco ficou muito emocionado e passou a acreditar em mim.
Aos poucos, ele foi trazendo outros artistas, como a Ana Furtado, a Fernanda Lima, que hoje freqüenta nossa casa e não tinha a menor idéia do que era uma igreja evangélica. Elba Ramalho e a Xuxa também nos visitam.
Acho que o maior impacto deles é ver a transformação de meus filhos. Um deles era gerente do tráfico e está se formando como advogado. Outro trabalha no Detran, outro é seminarista. Para muita gente, é impossível que uma menina que vivia na prostituição tenha hoje uma nova mentalidade. Infelizmente, muitos desses artistas têm uma experiência ruim com o Evangelho. Eles mesmos se sentem discriminados. Quem tem Jesus deveria atrair as pessoas para o Evangelho e não afastá-las.

ENFOQUE – O que você vê de mais problemático na vida das crianças de rua?
FLORDELIS – O maior problema dessa criança não é ela, mas sua família. É por causa dos problemas dentro da família que crianças vão para a rua. Elas não acham a rua legal porque não é. Eu vi isso na prática. Na época, tinha pena das mulheres que eu via na rua. Hoje sei que são apenas uma máquina de fazer filhos. A maioria delas não é mãe de verdade. Elas usam os filhos para ganhar dinheiro e para se dar bem.
Hoje eu atendo a mães da comunidade por meio da igreja a fim de ajudar na educação. Falo com meninas que estão sofrendo abuso sexual dentro de casa, e não são poucas. Vejo que as famílias de hoje não têm nenhum preparo, e nem a igreja prepara crianças e jovens para os dias atuais. Há garotos e garotas que vêm de famílias com problemas de alcoolismo, drogas, violência, separações e vão formar outras famílias também desajustadas.

ENFOQUE – Você acha que a igreja está preparada para intervir em tudo isso?
FLORDELIS – A igreja tem seus cultos e faz seus trabalhos sociais. Dá cesta básica e alimenta alguns “pobres coitados”, que já são discriminados pela própria igreja, que os trata de forma diferente. Raramente, a gente vê a igreja preocupada em fazer um trabalho focado na criança, para mudar a situação. Muitas vezes, adolescentes e jovens são taxados de rebeldes e, quando somem da igreja, ninguém vai atrás deles. Na verdade, eles acabam sendo um problema que foi embora da igreja, que se viu livre deles. E assim fica difícil melhorar o mundo porque o Governo, a sociedade e a igreja nada fazem.

ENFOQUE – E como surgiu o filme sobre sua vida?
FLORDELIS – Primeiro fiz umas fotos na favela com um fotógrafo muito famoso chamado Cláudio Capri. Ele foi se envolvendo e se emocionando com tudo e acabou querendo fazer um filme sobre minha vida, junto com o Marco Antônio. Eles queriam mostrar toda a história e chamaram um cineasta, montaram cenário, convidaram apenas oito artistas e também chamaram outros fotógrafos para fazer algo bem simples.
Só que outros artistas iam sabendo das filmagens e também queriam participar. Como a gente não queria deixar ninguém de fora, o elenco foi aumentando. Até a Xuxa, que tinha contrato exclusivo com a Globo, decidiu fazer assim mesmo. Disse que pagava os custos do processo e fez as gravações. Glória Maria, que só faz trabalho para o Fantástico, também fez a narração. E o simples acabou virando um longa com 26 artistas atuando. Todos se ofereceram para participar. O filme está sendo finalizado e deve ser exibido no primeiro trimestre do ano que vem.

ENFOQUE – Você sabe que hoje, depois de tudo o que enfrentou, pode estar passando por um dos maiores riscos de sua vida, que é o perigo da vaidade diante de tanto sucesso?
FLORDELIS – Sei. E eu sempre falo para os meus filhos: se um dia vocês me virem saindo de meu foco, de meu objetivo principal, falem comigo, me acordem, chamem minha atenção. Só que eu sei que Deus fez um milagre na minha vida, que é não me deixar impressionar por coisas que parecem ser muito grandes. Quando estive no programa da Xuxa, muita gente pensou que eu ia ganhar muito dinheiro. Mas eu disse a ela que não estava precisando de nada. Minha intenção é mostrar que tenho um Deus que é grande. E como posso mostrar isso se, logo em seguida, apareço de canequinha na mão, pedindo ajuda? Eu não posso fazer isso porque vou estar tirando a grandeza de Deus.
Se alguém quer fazer algo por mim, vá até a igreja comigo e escute a Palavra de Deus. E não importa se um é gay, o outro é ateu... Jesus ama cada um e morreu na cruz por mim e também por essas pessoas. Jesus é simples, a gente é que complica. Ele tem uma maneira simples de atrair as pessoas. Se a gente deixar Jesus fazer do jeito dEle, a gente ganha muito mais pessoas do que perde.
Infelizmente, tem muita gente de canequinha na mão por aí. Mas se Jesus pode tudo, Ele pode tocar na vida de qualquer um para que ajude nos trabalhos missionários, sem que a gente precise pedir. É ao Espírito Santo que devemos pedir.
Eu não preciso da ajuda financeira desses artistas, mas da amizade e do carinho deles. Eles não me ajudam com dinheiro, mas com a imagem que me emprestam.

ENFOQUE – O que você deseja falar, como mãe, para outras mães que irão ler seu depoimento?
FLORDELIS – No mundo de hoje, vejo as mães muito ocupadas, com necessidade de construir sua independência, o que faz com que elas estejam ausentes na vida dos filhos. Mas, por mais cansada e sem tempo que esteja, uma mulher nunca pode abrir mão de seu papel como mãe.
Aquelas que têm filhos rebeldes, problemáticos, doentes, que nunca desistam deles. Briguem por eles e corram atrás deles porque lá na frente vai valer a pena. Porque não existe ex-filho ou ex-filha. Não adianta pegar uma filha que engravidou, um filho que se tornou gay ou traficante e colocar para fora de casa. Eles não vão deixar de ser seus filhos. Se as mulheres cumprirem bem a sua função como mães, elas vão vencer todos os problemas que dizem respeito aos filhos.
Hoje, depois de muitos anos, eu consegui a adoção de meus filhos. E eles são o meu maior presente nesta vida.

http://www.revistaenfoque.com.br/index.php?edicao=76&materia=893


Flordelis no programa XUXA - parte 1
http://www.youtube.com/watch?v=cn6dJjzLpWU&feature=related

Flordelis no programa da XUXA - Parte 02
http://www.youtube.com/watch?v=cVKCh8AKn5s


Nunca Desista de Seus Sonhos
Augusto Cury

A capacidade de sonhar sempre foi o grande segredo daqueles que mudaram o mundo. Os sonhos alimentam a alma e dão asas a inteligência. É no solo fértil da memória onde semeamos os sonhos que farão grande diferença em nossa existência.
Os sonhadores mudaram a história da humanidade. Eles fizeram da derrota, o pódio para a vitória; das críticas, o palco, de onde receberam os aplausos.
O Mestre dos mestres foi o mais ousado dos sonhadores. Ele fez de homens simples e iletrados, arquitetos da vida. A estes, vendeu o sonho de um reino justo, em um mundo de injustiça, de liberdade em uma terra de escravidão, de vida eterna em um território onde imperava a morte, de felicidade em um país onde reinava o ódio.
Jesus Cristo tirou aqueles homens da platéia e os introduzir no palco da vida. Fez deles autores de sua própria história. Ao encantá-los com suas palavras e surpreendê-los com suas atitudes, ele tocou o inconsciente dos seus discípulos, reeditou novas janelas em sua memória e abalou os fundamentos da psicologia.
Abraham Lincoln superou os seus fracassos porque exerceu o direito de sonhar. Enquanto falia nos negócios, e consecutivamente era derrotado na política, soube mais do que ninguém exercer a liderança do ?eu?. Estava convicto de que contra traumas e frustrações que a vida nos impõe, o melhor remédio, é uma alma controlada por um grande sonho.
Embora o décimo sexto presidente dos EUA tenha tido mais derrotas do que vitórias em sua vida pública, do ponto de vista da psicologia foi o grande vencedor em todas as disputas. Ele venceu o preconceito com criatividade, as suas inseguranças com motivação, os seus medos com ousadia. Mas acima de tudo, foi sempre consciente que o destino é uma questão de escolha, não uma fatalidade, por isso, optou por continuar sonhando.
A discriminação, o preconceito, o racismo e a indiferença, foram porções que coube a outro sonhador: Martin Luther King. No entanto ele teve a capacidade de criticar a violência exercida contra os negros do seu país. E assim, reeditou sobre os traumas arquivados em sua memória, os sonhos que mudaria as gerações subseqüentes.
O autor da teoria da Inteligência Multifocal foi sem dúvida um sonhador. E como todos os outros, encontrou muitos desafios pelo cominho. Depois de 19 anos escrevendo sobre o processo como os pensamentos são construídos viu sua tese ser rejeitada por muitos e incompreendidas até mesmo por especialistas ligados às ciências humanas.
Não obstante a isto, Augusto Cury não se deixou vencer. Resolveu provar suas teses a luz de um personagem histórico. Escreveu uma coleção onde analisa a inteligência de Cristo. Foi incrível, com este ato ele democratizou a ciência, popularizou suas teses e surpreendeu o mundo ao entrar em uma área, até então, completamente dominada pela teologia.
Se pensar é o destino do ser humano, continuar sonhando é o seu grande desafio. E isto, é lógico, implica em trajetórias com riscos, em vitórias, com muitas lutas, e não poucos obstáculos pelo caminho. Apesar de tudo, seja ousado. Liberte sua criatividade. E NUNCA DESISTA DOS SEUS SONHOS, pois eles transformarão sua vida em uma grande aventura.

PALAVRAS QUE TODA MÃE GOSTARIA DE DIZER A SEU FILHO


Meu filho, eu lhe dei a vida, mas não posso vivê-la para você.


Eu posso mostrar-lhe caminhos, mas não posso estar neles para liderar você.


Eu posso levá-lo à igreja, mas não posso fazer com que tenha fé.


Eu posso mostrar-lhe a diferença entre o certo e o errado, mas não posso decidir sempre por você.


Eu posso comprar-lhe roupas bonitas, mas não posso fazê-lo bonito por dentro.


Eu posso lhe dar conselhos, mas não posso seguí-los por você.


Eu posso ensiná-lo a partilhar, mas não posso fazê-lo generoso,


Eu posso aconselhá-lo sobre amigos, mas não posso escolhê-los por você.


Eu posso informá-lo sobre álcool e drogas, mas não posso dizer “NÂO” por você.


Eu posso falar-lhe sobre o sucesso mas não posso alcançá-lo por você


Eu posso orar por você, mas não posso impor-lhe Deus.


Eu posso falar-lhe da vida, masnão posso dar-lhe vida eterna.


Eu posso falar-lhe sobre sexo seguro,mas não posso mantê-lo puro.


Eu posso ensinar-lhe o respeito, mas não posso forçá-lo a ser respeitoso.


Eu posso dar-lhe amor incondicional, por toda a minha existência e isso Eu Farei.


(Desconheço o Autor)

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A felicidade sem segredos.

Ricardo Gondim


A maior busca do ser humano é da felicidade. Pascal dizia que até os suicidas se enforcam querendo ser felizes. Ninguém almeja a felicidade para ter dinheiro, mas ao contrário, corremos atrás do dinheiro para sermos felizes. Portanto, o fim último que elegemos para nossa existência e a felicidade. Uma das maiores decepções que tive ao me converter foi imaginar que bastaria professar a fé cristã e automaticamente seria feliz. Descobri, ao longo dos anos, que muitos cristãos, na verdade, não são felizes. Ouso acrescentar: Eu já vi pessoas não cristãs vivendo uma vida mais ajustada, mais redonda e mais plena do que muitos cristãos. Os pastores e sacerdotes cristãos deveriam ser claros e honestos. Eles não podem mentir: a fé cristã não produz felicidade automática. No esforço de acontecerem conversões, não precisa haver propaganda enganosa para seduzir as pessoas para a fé. Portanto, sejamos cândidos: muita propaganda evangélica é enganosa. Num desses dias, um programa evangélico alardeava na mídia: “Se você está passando por dificuldades, se está vivendo um inferno, basta dizer sim para Jesus Cristo e você será feliz”. O pregador não se intimidava com suas declarações: “Deus está à sua disposição para lhe ajudar, basta você orar comigo e eu garanto, sua vida será mudada num piscar de olhos”. Passar uma semana entre os crentes já é suficiente para constatar que isso não acontece. Existem inúmeras pessoas convertidas dentro das igrejas evangélicas com depressão, angustiadas, cheias de dúvidas, sufocadas por dívidas no cartão de crédito, ansiosas, irritadiças, insones e nervosas.Repito. a pregação, “se converta e você será feliz” é falsa. As razões são diversas: primeiro, conversão não tem nada a ver com Deus resolvendo os nossos problemas instantaneamente. Converter-se é submeter nossa vontade à Sua soberana vontade. Segundo, na conversão resolve-se o impasse relacional da criação. Deus decidiu nos criar, livres. Deus é trino e, portanto, relacional. Ele vive eternamente em uma comunidade tão única, que podemos afirmar que o Deus trino do cristianismo é só um. Pode-se dizer que nossa liberdade foi o preço que Deus se dispôs a pagar, por sua soberana decisão, para que pudéssemos amar. Converter-se significa, portanto, que houve uma resposta humana para o toque divino da Graça que convida para esse relacionamento. O convertido é quem diz sim ao convite de Deus. Daí se inicia um relacionamento amoroso semelhante aos dos pais e filhos, amigos, noivos ou pastor e ovelhas. Conversão é aceitar que a vontade humana se alinhe à vontade de Deus, sempre com o propósito relacional de intimidade.Depois que nossa vontade estiver sujeita à vontade dEle, começa uma caminhada ou um processo; Deus nos ensinará como transformar nossa história de perdição em vida plena. Colocado de uma maneira bem coloquial, seria como se Deus afirmasse: “Bem, agora que você está comigo, deixe que eu lhe ensine como ser feliz.”A diferença fundamental entre o cristão e o não cristão é que um se submeteu à vontade de Deus e agora dispõe da sabedoria divina para viabilizar a vida. Entretanto, alguns podem ser cristãos, terem essa sabedoria à sua disposição e não saberem como utilizá-la. Seria como uma pessoa que passa sua existência sobre uma jazida de ouro, mas ignorante de sua realidade, nunca garimpa o tesouro que é seu.Conheço um rapaz que herdou uma biblioteca de seu pai, mas nunca leu nenhum daqueles livros. Ele era filho de um dos homens mais cultos, porém um playboy; assim, jamais tocou em qualquer um tomo das estantes. Houve um caso que abalou o mundo quando um avião, que transportava um time de futebol, caiu sobre os Andes. Os jovens ficaram ilhados na neve por vários dias com fome e com muita sede. Promoveram algumas expedições para procurar ajuda, mas nada encontraram. Famintos e desesperados, todos os sobreviventes acabaram praticando o canibalismo nos corpos dos que haviam morrido no acidente. Depois que foram resgatados, perceberam que haviam caminhado numa direção errada. Se tivesse tomado o caminho oposto, encontrariam uma casa com a despensa abarrotada de alimentos enlatados.Jesus começou seu ministério com o sermão do Monte que sintetiza a Lei Áurea do Reino de Deus. Os capítulos cinco, seis e sete do Evangelho de Mateus resumem o núcleo fundamental de todo ensino de Cristo. Estes são os seus Estatutos fundamentais, sua Constituição maior. Como o maior interesse de Deus é que desfrutemos da glória que ele desfruta na trindade. Como ele sabe que nossa maior ambição na vida é felicidade, Jesus Cristo começou seu sermão fundamental, ensinando como as pessoas podiam encontrar a verdadeira felicidade. “Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados.Bem-aventurados os humildes, porque eles receberão a terra por herança.Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos.Bem-aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia.Bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus.Bem aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus.Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa, os insultarem, os perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a sua recompensa nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês”. (Mateus 5.3-12). Jesus Cristo foi cristalino no seu ensino: quem almejar ser feliz, precisa de três atitudes corretas: a) para consigo mesmo – sendo pobre de espírito, admitindo suas lágrimas, na humildade, e mantendo seu compromisso com a justiça; b) para com Deus – sendo misericordioso como Deus é, mantendo o coração puro, e sendo pacificador; c) para com o mundo que rodeia – estando disposto a sofrer pelo que crês, mantendo a integridade emocional mesmo sendo perseguido. Vale insistir, mesmo com o prejuízo de parecer redundante: Jesus inicia seu ensino oferecendo algumas pistas de que a felicidade não acontece por acaso. Portanto, o caráter cristão precisará conter três ingredientes para produzir felicidade. O primeiro, diz respeito a essência do ser – humildade de Espírito, a habilidade de chorar, a mansidão, a fome e sede de justiça. O segundo, as expressões do ser – misericórdia, pureza de coração, promoção da paz. O terceiro, os compromissos do ser diante da adversidade, da perseguição e da injúria. Portanto, a expressão “Bem-aventurados” – que significa "Felizes" – não é somente indicativa ou descritiva do verdadeiro cristão, mas imperativa. O início do sermão do Monte não se constitui numa simples promessa, mas numa convocação e exortação. Jesus aponta o caminho para aqueles que quiserem realmente experimentar a felicidade. Seu ensino, em outras palavras, exorta as pessoas a se lembrarem sempre que, quanto mais próximas estiverem dos princípios expostos por ele, mais perto estarão de desfrutarem uma vida plena.Jesus ensinou que felicidade não é fruto de só uma experiência, ela é resultado de uma jornada – um estilo de vida que se adota. Vida abundante não se acha, ela é construída. Os bem-aventurados são chamados de "felizes" não porque passaram por uma experiência mística ou esotérica, mas porque viveram de tal maneira que a felicidade fluiu. Os valores do Reino de Deus produziram neles uma satisfação real. Significa que felicidade não vem de fora para dentro, mas ela flui de dentro para fora. Um anjo não tocará ninguém para que seja feliz. Se houver uma intervenção angelical, ela servirá para revelar ou dotar a pessoa de forças para que pratiquem o necessário para encontrarem alegria eterna. Pimentinha foi um personagem muito conhecido nas seções cômicas dos jornais. Certa vez, mostraram ele de joelhos na beira da cama fazendo uma prece: “Deus, por favor, transfira as vitaminas da cenoura para o sorvete”. Rimos de sua ingenuidade infantil. Porém, muitas vezes, oramos da mesma maneira. Queremos que Deus, por alguma mágica, transfira a felicidade celestial para nossas vidas. Quando uma pessoa experimenta o poder da Graça, ela não sai de um estado de tristeza para um de alegria, no estalar dos dedos; apenas abandona a estrada que conduz à tristeza para outra que leva à felicidade. Contudo, alguns valores precisarão ser incorporados ao seu novo estilo de vida.O sermão do Monte foi uma espécie de cartilha em que Jesus Cristo garantiu aos seus que, se buscassem o Reino de Deus e sua justiça em primeiro lugar, todos ingredientes que geram felicidade seriam acrescentados. Para Jesus, felicidade não é uma estação onde estacionamos, mas uma maneira de viajar. A grande frustração que encontro em muitos cristãos é que esperam uma oração especial, uma profecia bombástica, uma visão sobrenatural, um arrebatamento espetacular para, de repente, entrarem em um estado perene de felicidade.Os caminhos que levam a essa vida, passam por ações que são constantemente rejeitadas. Quem deseja preferir os outros, esvaziar-se da arrogância de enxergar-se como um semi-deus ou ser menos egocêntrico? A essência do cristianismo autêntico começa quando seus seguidores buscam se esvaziar dos próprios métodos para passarem a considerar os de Deus. Por isso: “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus”. Cristo foi direto: “aprenda a chorar, – a manter a alma terna, sensível, a não se auto justificar – Deus lhe dará o poder de se sentir frágil, dependente dele. Por isso: ”Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”. Ele insiste num tema muito pouco popular: “queira ser manso”. Jesus entendia que mansidão significa abrir mão de reivindicar o que é seu, desistir de querer sempre ganhar; os mansos se submetem. Por isso: “Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra”. Ele indica o caminho de viver com satisfação real: “ queira ser justo, ame o que é certo”. Em todos os atos, faça sempre a pergunta: “Será que é certo? Está direito? Isso é justo?”. Quem ama a justiça e tem desejo enorme de vê-la sendo praticada, será feliz. Por isso: “Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça porque serão fartos”. Suas palavras ainda ecoam: “queira ser misericordioso para com os fracos; seja paciente com os que não conseguem alcançar seu padrão; seja compreensivo com os que se atrasam; com os que fracassam; com os que tropeçam em seus próprios erros”. Quem tem essa atitude para com os derrotados será feliz, porque no dia que precisar de compreensão para seus próprios erros, achará. Ele convoca seus seguidores a serem coerentes na interioridade: “busque ser limpo de coração, e não permita que haja sombras, caminhos dobres, incoerências, hipocrisia, falsidade ou dolo”. Para Jesus, quem vive uma vida íntegra, será feliz. Sua declaração foi ousada: “os puros experimentarão a maior de todas as felicidades, eles verão a Deus”. Jesus incentivou a concórdia e ordenou que se promovesse a paz: “não seja agente de cizânias, jamais catalise ódios, não suscite a vingança e não espalhe dissensão. Reconcilie os que se odeiam, reuna os diferentes, promova o amor e você será feliz”. Daí o texto: “os pacificadores serão chamados filhos de Deus”. Ele aconselha que seus seguidores sejam pessoas de idéias nítidas, convicções sólidas, pontos de vista verdadeiros: “se essa postura trouxer o ódio alheio e se sua fé não for popular, continue sendo verdadeiro, a história premiou todos os que agiram assim. Os claudicantes, os pusilânimes, os covardes se perderam. Ninguém lembra o perseguidor, apenas os perseguidos são lembrados”. O texto diz: “bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e mentindo disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós”. No verdadeiro cristianismo a felicidade não é circunstancial, ela depende dos conteúdos do caráter. Jesus ensinou aos seus discípulos que a pergunta essencial não é: “Isso me fará feliz?”, mas, “isso está certo”? Todos nutrimos o conceito errôneo de que felicidade depende de circunstâncias. Ao contrário de Jesus Cristo, raramente fazemos uma correlação entre a felicidade e o caráter. Muitos vivem miseravelmente prometendo a si mesmos: “serei feliz no dia que mudar de casa, comprar um barco, terminar a faculdade, tiver um filho, os filhos se casarem, mudar de mulher, viver em Minas Gerais, construir uma casa em Porto de Galinhas ou viver em Miami”.Devido a essa visão de que lugares, pessoas e oportunidades, produzem felicidade, não priorizamos a ética, a integridade e nem um compromisso com a justiça. Infelizmente acabamos acreditando que a disciplina de uma vida íntegra não tem nada a ver com felicidade e sim com coleiras religiosas ou morais. Durante todo o sermão da Montanha, Jesus não poupou seus discípulos. Ele ensinou alguns princípios fortíssimos. Há determinados trechos que a gente lê e diz: “Isso é muito difícil”!. Foi por esse motivo que ele iniciou afirmando: “Eu vou ensinar algumas coisas para vocês aparentemente muito difíceis, mas acreditem, os que praticarem serão bem-aventurados – ou felizes”. O sermão inicial de Cristo ergueu-se sobre uma premissa bíblica: o que o homem ou a mulher plantar isso, certamente colherá. Não importa se a religião está sendo cerimonialmente cumprida: quem plantar vento, colherá tempestade; quem plantar ódio, colherá violência; quem plantar amor, colherá amizade; quem plantar vingança, colherá amargura; quem plantar fidelidade, colherá compromisso; quem plantar mentira, colherá traição; quem plantar verdade, colherá integridade. O sermão da Montanha fornece princípios para os que buscam essa vida verdadeira e plena prometida por Jesus. O melhor é que ele próprio se propõe ajudar seus discípulos em cada passo do caminho.


Soli Deo Gloria
Bem-aventurados os Fracos
Ricardo Gondim

Passo por uma fase em que meus valores vêm mudando muito. Ultimamente sinto atração pelos fracos, pelos caídos e pelos desafortunados na vida. Tenho vontade de gritar: chega de campeões, chega de relatórios bombásticos, chega de testemunhos de vitória. Cada vez mais venho aprendendo a partilhar da felicidade dos que não faziam parte de meu universo. À medida que envelheço, percebo nuanças que meus olhos juvenis não enxergavam.

São bem-aventurados os que não têm pedigree. Afortunados os que vêm de famílias pobres e por isso podem cantar, como Luis Gonzaga: “Ai, Ai, que bom/ que bom que é/ Uma estrada e a lua branca/ No sertão de Canindé/ Automóvel lá nem sabe se é homem ou se é mulher/ Quem é rico anda em burrico/ Quem é pobre anda a pé/ Mas o pobre vê nas estradas/ O orvalho beijando as flores/ Vê de perto o galo campina/ Que quando canta muda de cor/ Vai molhando os pés no riacho/ Que água fresca, nosso Senhor!/ Vai olhando coisa a granel/ Coisa que, pra mode vê/ O cristão tem que andar a pé”. Esses serão amigos de gente como Jefté, filho de uma prostituta; de Davi, excluído por seu pai e irmãos; de Nelson Mandela, que viveu sem calçar sapatos até quase a vida adulta. Eles são felizes porque não nasceram de pais frustrados com o seu quinhão na vida. Assim, sem rédeas manipuladoras, puderam optar por vocações, dar vazão a talentos e seguir por sendas que não se prestavam a satisfazer o ego ou as expectativas dos que precisam se projetar em crianças indefesas.

Bem-aventurados os que não são belos. Felizes os que não se conformam aos parâmetros estéticos da sua geração. Essas pessoas precisam vencer os preconceitos mais sutis, que valorizam a beleza da pele e esquecem os valores do caráter. Elas são afortunadas porque precisam de uma têmpera diferente para vencer. Quando se candidatam a um emprego, sabem que não impressionarão pela cor dos olhos nem pelos seios volumosos. Essas pessoas trabalharão com mais afinco, valorizarão o suor que brota pela persistência, pois não vivem iludidas pelo reflexo que matou Narciso. Elas serão amigas de Lia, cuja beleza não se comparava à de Raquel, e entenderão o provérbio bíblico: “A beleza é enganosa, e a formosura é passageira” (Pv 3.10).

Bem-aventurados os deficientes físicos, os meninos com síndrome de Down e as meninas com paralisia cerebral. Suas vidas valem muito para os seus pais; seus sorrisos são valiosos e suas existências, uma constante lembrança de que os padrões da normalidade são mais largos do que essa geração hedonista admite. Eles nos lembram de que nossa existência não é um passeio despretensioso e que não podemos viver na ilusão do eterno prazer. A felicidade dos deficientes que disputam as para-olimpíadas, de Hellen Keller, que, cega e surda, graduou-se em universidade, e Ray Charles, que nos encantou com sua voz maravilhosa, tem um peso diferente do riso soberbo dos ricos e dos poderosos.

Bem-aventurados os que já pecaram, os que já deram vexames, os que já se desviaram da vontade de Deus, mas voltaram arrependidos tal qual o filho pródigo. Esses não têm o coração altivo, não se sentem merecedores de coisa alguma. Vivem dependentes da misericórdia; jamais teriam coragem de reclamar seus direitos. Os perversos mais malignos são pessoas que nunca transgrediram, que jamais erraram; portanto, não sabem como é a dor da maldade, não conhecem a culpa do mal praticado. Mas aqueles que já amargaram o fracasso são felizes, porque celebram a graça; não esquecem que se não fosse o favor de Deus, há muito já teriam perecido. Eles caminham ao lado de Abraão, que mentiu, de Moisés que matou, de Davi, que adulterou, de Pedro, que negou, e com eles repetem: “Suas misericórdias duram para sempre”. Só eles podem dizer, como a virgem Maria: “Minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, pois atentou para a humildade da sua serva” (Lc 1.46-48).

Bem-aventurados os que nunca experimentaram grandes vitórias e vivem sem grandes arroubos. São eles que não nos deixam esquecer que a maior parte de nossa existência acontece no contexto da rotina. Eles são felizes porque souberam viver sem a fadiga dos ativistas cheios de adrenalina. Vivem despretensiosamente ao redor de pessoas amadas e não se sentem obrigados a carregar o mundo inteiro em seus ombros. Não deitam a cabeça no travesseiro para acordar no dia seguinte com olheiras. Eles são felizes porque souberam caminhar pela existência sem desejos grandiloqüentes, sem ambições ou invejas. Eles serão parceiros de João Batista, José, Bartolomeu, Joana, e tantos outros discípulos de Jesus, cujas vidas aconteceram no anonimato.

Bem-aventurados os que não precisam viver uma vida sempre coerente. Eles sabem que estamos sempre em fluxo, que mudamos e precisamos abrir mão de verdades a que no passado já nos apegamos com muita firmeza. Eles não são dogmáticos, intolerantes nem legalistas. Essas pessoas são felizes porque nos lembram que o amor nos tornará incoerentes e imprevisíveis e que o nazismo montou-se sobre uma pretensa lucidez filosófica.

Bem-aventurados os que não sentem a cobrança de uma divindade infinitamente exigente. Eles podem ser eles, mesmos quando se percebem diante de Deus; não se amedrontam por serem imperfeitos ou por carregarem complexos e traumas interiores. Não temem a rejeição de Deus e por isso não precisam encenar uma espiritualidade plástica e afetada. Eles também ouvirão a voz que afirmou Jesus no dia do seu batismo: “Este é o meu filho amado em quem o meu coração está satisfeito”. Felizes os que nos ensinam que viver em intimidade com Deus significa saber que ele está satisfeito conosco e que não precisamos nos provar, pois seu amor não depende de nossa perfeição.

Bem-aventurados os que não se comparam aos poderosos nem invejam os triunfantes. Eles captam o significado do Poema em Linha Reta, de Fernando Pessoa, e sabem que é falsa a pretensão daquele que alardeia ter sido campeão em tudo. Reconhecem que o poeta está correto quando afirma: “Estou farto de semideuses”. E, em parceria com Pessoa, também clamam: “Quem me dera ouvir de alguém a voz humana”. E, como ele, também gritam: “Arre, estou farto de semideuses. Onde é que há gente no mundo?” Esses serão amigos de Paulo, que mesmo no fim de sua vida, afirmou: “Eis uma verdade digna de toda aceitação; Cristo veio salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal”.

Assim, os meus novos heróis são pessoas que sempre estiveram ao meu redor e que nunca percebi. Agora vejo que nunca dera conta de que eles são descritos no Sermão da Montanha. Admito que essas constatações chegaram muito tarde em minha vida; contudo, espero que você aprenda a reconhecer os verdadeiros heróis antes do que fui capaz. Se conseguir lhe ajudar nessa tarefa, eu também me sentirei bem-aventurado.
Soli Deo Gloria.
Conheça o testemunho do cantor Chris Durán

O cantor Chris Durán foi ordenado pastor no dia 21 de Janeiro, porém nem todos conhecem o seu testemunho. Abaixo um texto escrito pelo pastor e cantor, contando seu relato. Informações de contato com o cantor no final do texto. Testemunho Chris Durán Nasci na França em 1975, na cidade Dieppe. A minha família era rica e de religião Católica Apostólica e Romana. Tímido, comecei a me desenvolver através do esporte, mais mesmo assim era difícil me relacionar. Na idade da adolescência comecei a me interessar pelas coisas espirituais. Aos 20 anos, com muitas indecisões decidi me lançar nos estudos da economia em Madrid (Espanha). Depois de um tempo, a depressão começou a me invadir até um certo ponto de não suportá-la mais. Minha mente assolada por pensamentos negativos, de baixa-estima me levou a querer morrer. Na Espanha me fechei num quarto da escola e decidi falar com Deus e disse: "Se tu es verdadeiro Jesus, dá-me um trabalho para que eu possa ser útil neste mundo e dar o meu Amor para o mundo inteiro, se tu me guias, te seguirei de todo meu coração". No dia seguinte, um caçador de talentos me descobriu, (produtor de Julio Iglezias, Sting, Roberto Carlos...) e me convidou em Miami para gravar um CD nos melhores estúdios do mundo. Acreditei que Jesus tinha me dado uma resposta e aceitei! Sem bíblia, nem conhecimento do Reino de Deus, Deus me tirou da Europa para me levar num País onde um dia alguém seria canal de benção para mim. Deus conhecia o momento e o tempo perfeito! Assinando com uma das maiores gravadoras do mundo, Polygram, meu disco foi lançado nos Estados Unidos, toda América Latina e em partes da Europa. O sucesso foi impactante. Fã clube de todas as partes começaram a ser criados, a minha vida de estudante comum se tornou num super-artista pop internacional. Primeiro lugar em vários lugares e Países, a minha popularidade crescia numa velocidade surpreendente. Hotéis 5 estrelas, luxo, limusines, aviões em primeira classe, fama, autógrafos, mulheres me tinham sido oferecido pelo mundo. Tudo isso me fazia uma pessoa forte e segura de mim mesma. Existia uma estrela que crescia proporcionalmente aos aplausos das pessoas, porque eu amava a gloria da fama. Mais hoje sei que tudo é contrario, existe uma estrela dentro de mim, chamada estrela da manhã que cresce proporcionalmente ao louvor e adoração que faço para Jesus. Passando alguns anos, parecia que tudo estava indo muito bem, quando me apresentei no Estádio Nacional do Chile, junto a Gloria Estefan. O estádio estava lotado. Porém, voltando para o aeroporto, o motorista dormiu e batemos de frente com um ônibus. O país inteiro pensava que eu estava morto, mas estava consciente, com minhas pernas quebradas e quase perdi meu olho direito. No hospital, depois de 4 anos, Jesus falou no meu coração: "Você lembra, um dia você me pediu que queria dar o seu amor para o mundo inteiro, mas não será seu amor, mais o meu Amor." Depois de recuperado, voltei em Miami buscando Jesus em varias religiões, budismo (junto a meu companheiro de trabalho Ricky Martin), que era a moda no showbusiness!!! Mas nada: a depressão voltava e não queria sair da minha casa. Quando um dia trocando de canal na televisão, um pastor americano estava pregando o evangelho do Reino de Deus. A presença de Deus entrou no meu quarto e chorei muito. Dias depois, cruzei a rua e vi que tinha uma igreja chamada EBENEZER, entrei e nunca mais fui a mesma pessoa. O meu encontro com Jesus foi radical e impactante. Ninguém aprovou minha posição, meu pai ficou decepcionado e sem falar comigo durante algum tempo. Perdi meus amigos, porque tudo o que eu falava era exaltando o meu amado Jesus. Roberto Livi, o produtor, começou a me fazer ameaças mas Deus estava comigo. Jesus me mostrou o caminho da sua salvação me ensinando a renunciar as coisas do mundo e colocar meus olhos nas coisas eternas. Grandes tribulações chegaram por causa de Cristo, mas também grandes vitórias. Hoje Deus me deu um maravilhoso ministério evangelistico, onde pessoas separadas por Deus reconheceram o meu chamado, mostrando que a fama e o sucesso passaram mais Jesus é eterno. Uma destas pessoas que Deus me deu é a Poliane, minha esposa, e uma menina chamada Esther. Além disso meu braço direito que me levanta nos momentos difíceis, o Robson Cruz, ex-grande jogador de basquete que jogou contra os maiores jogadores do mundo como: Michael Jordan, Pipen, Barkley.... e que se tornou uma referência para milhares de Jovens no Brasil e fora. Milagres, maravilhas acompanham o meu chamado. O ministério Chris Duran, representa só 40% de louvor, mas a palavra e sinais é nosso pedido a Deus, tudo pela sua misericórdia. Está escrito (Hebreus 2:3) Primeiro, o próprio Senhor Jesus anunciou essa salvação; e depois aqueles que a ouviram nos provaram que ela é verdadeira. Ao mesmo tempo, por meio de sinais de poder, maravilhas e muitos tipos de milagres, Deus confirmou o testemunho deles. E, de acordo com a sua vontade, distribuiu também os dons do Espírito Santo. Deus é especialista em escolher coisas loucas para confundir os sábios deste mundo! E você, a sua vida tem sido uma vida de renuncia? Você teve um encontro com Deus? Hoje é o seu dia, o dia da sua salvação!!! Um "sim" te levará a viver a plenitude do seu Amor, mais um "não" poderá ser a pior escolha da sua vida! Jesus te chama! Atenda o seu chamado, Ele te ama! Que Deus te abençoe meu irmão!

Texto: CHRIS DÚRAN

De um lado Baggio, do outro Taffarel. Entre eles, a bola. Na platéia, via satélite, metade da população do planeta! O chute final da Copa do Mundo de 1994 foi o lance de suspense máximo do maior espetáculo da terra.O Brasil era o franco favorito e deveria ganhar essa copa com os gols de Romário. No entanto as coisas se complicaram quando o jogo final contra a Itália terminou em zero a zero.Os trinta minutos de prorrogação também não produziram um único gol para que Brasil ou Itália soltassem o grito de vitória que tinham entalado na garganta e ainda deixaram os jogadores exaustos, a ponto de quase não poderem mais correr atrás da bola.Naquele momento, a responsabilidade pela conquista do tetra deixou os pés mágicos de Romário e caiu nos braços de um homem que joga do lado oposto do campo,o goleiro Taffarel.- Conseguiria ele garantir para o Brasil aquilo que Romário, o nosso herói maior, não conseguira? Bom, ninguém melhor que o próprio Taffarel para contar o que passou por sua cabeça na final da Copa de 1994:- Na manhã daquele dia acordei tranqüilo, confiante, firme em Deus. Parecia até que eu ia jogar um amistoso e não uma final de Copa do Mundo contra a Itália! Algo diferente estava acontecendo comigo. Fomos para o estádio com uma enorme confiança.Ao entrar no túnel que dá acesso ao gramado, percebi que os jogadores da Itália estavam inseguros e cabisbaixos, enquanto nosso time gritava: vamos lá, vamos ganhar!Quando o jogo e a prorrogação terminaram empatados e fomos para a disputa de pênaltis me lembrei das palavras que havíamos estudado naquela semana: Nossa alma espera no Senhor. Ele é o nosso auxílio e o nosso escudo (a nossa defesa).Nele o nosso coração se alegra, pois confiamos no seu santo nome. Seja sobre nós, Senhor, a tua infalível misericórdia pois a nossa esperança está em ti. (Salmo 33:20 a 22)Desde que convidei Jesus Cristo para morar em meu coração, passei a contar com a força, o amor e o poder de Deus nos momentos mais importantes de minha vida.Nem tudo é um mar de rosas na vida do cristão e na minha não foi diferente. Mas na hora do aperto, na hora da trairagem de técnicos e dirigentes, na hora do frango e da vaia da torcida, na hora em que perdi meu pai ou vi minha mulher entre a vida e a morte na UTI de um hospital em Porto Alegre e na hora de pegar o pênalti decisivo, é que percebi o quanto é importante não estar só. Deus nunca me deixou na mão.E não foi diferente na final da Copa de 1994:No meio da disputa de pênaltis dei um olhada no placar. Vi que estava 2x2 e pensei: É a minha hora de fazer alguma coisa pela minha equipe e para o meu país. - Senhor, me ajude a defender este pênalti ! - E Ele ouviu... Quando Massaro chutou, creio que Deus meempurrou para o canto esquerdo e eu pude fazer a defesa.Aí o Dunga foi e fez o seu gol e ficou tudo no pé do Baggio quando fomos para a cena final. Depois de 52 jogos, três milhões de ingressos vendidos, quatro anos de preparação e um mês de muita badalação na midia do mundo inteiro; a decisão de tudo isso acabousobrando para duas pessoas: Baggio e eu...Quando o ví com a cabeça baixa e os olhos fixos no chão, percebi que ele estava inseguro e cresci bastante. Naquele momento tive a certeza: - eu vou fazer a defesa ou ele vai chutar para fora... E não deu outra.... Quando aquela bola passou voando alto por cima do travessão a única coisa que me deu vontade de fazer foi me ajoelhar e glorificar a Deus poissabia que a vitória estava vindo dEle e só Ele merecia aquela glória.Afinal de contas, nem Baggio fez o gol, nem eu fiz a defesa no lance final da Copa de 1994. Disso eu aprendi que é muito bom confiar em alguém que é infinitamente mais poderoso que nós. Alguém que nos ama, nos entende, nos ampara e se importa com cada detalhe de nossas vidas. O seu nome é Jesus, o único caminho que leva a Deus. Ele é verdade em um mundo tão cheio de mentiras. E acima de tudo Ele é a própria vida.Se você também quer encontrar o Caminho que leva a Deus e à vida eterna.Leia João 14:2 a 6
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Testemunho - Dalva de Oliveira - Ex-Freira

Aos oito anos de idade comecei a estudar num colégio de freiras e eu admirava muito elas. Com 14 anos de idade eu já estava usando o hábito, como noviça.Lá no convento, aprendíamos tudo sobre a vida dos santos. Eu gostava muito de ser considerada esposa de Cristo, mas; dele, nada aprendíamos.Eu conhecia a vida de tantos santos e não conhecia a vida do meu esposo. Isto eu não entendia. E, passado um tempo tudo começou a ser terrível ali no convento. Eu estava sentada numa pedra, na gruta de Lurdes e ouvi uma voz a me chamar como se fosse uma amiga.Quando me virei, a imagem da santa estendia suas mãos para mim repetindo 'Dalva, vem a mim'. Saí dali aterrorizada e corri para a madre superiora que tentava me convencer que eu havia tido uma ilusão. A leitura da Bíblia não era recomendada pois a madre superiora nos ensinava que ela era sagrada e, por isso, deveria ser lida apenas pelos padres.E criei em mim uma curiosidade muito grande de saber o que havia nela. Certa vez, na missa de sexta feira da paixão, perguntei ao padre, capelão do convento, sobre o conteúdo da bíblia e por que aquela missa demorava tanto: começava às 21 e terminava à uma da madrugada. Ele nos dizia que procurava o aleluia na Bíblia.Ele dizia que era uma gota do sangue de Jesus que mudava de página em página e que teria de ler enquanto essa gota não mostrasse o aleluia. Se o aleluia não fosse encontrado, o mundo acabaria. E nós ficávamos com medo e rezávamos muito para que o aleluia fosse achado e o mundo não acabaria.Esse foi o motivo explicado para o sábado de aleluia. E um dia tive a oportunidade de folhear a bíblia. Fui designada para fazer uma limpeza na capela e peguei a que lá ficava e sentei-me no chão para procurar o pingo de sangue que o capelão nos falava. Fiquei horas ali e não achei. E, então, a madre superiora chegou e gritou comigo dizendo eu não deveria pegar na Bíblia. Foi um pecado.Logo telefonou para o padre para vir me confessar. E o padre passou para mim a penitência de rezar 50 ave marias, 50 pai nossos, 50 credos e ato de contrição, durante 30 dias, além de ter o castigo de não almoçar nem jantar por três dias, ficando apenas com o café da manhã. Esta foi a minha penitência por pegar na Bíblia em busca de informações sobre o meu esposo Jesus. E aconteceu algo interessante ali no convento. Certa vez, eu e as meninas resolvemos brincar de esconde-esconde.E escolhi me esconder num lugar que jamais me encontrariam. Me escondi atrás do altar. E quando, olhei bem, havia ali embaixo, um homem deitado, semi nu, com marcas de batom pelo corpo. Fiquei com muito medo e ele abriu os braços e tentou me segurar.Aquele homem não era outro, mas o que na Igreja Católica o chamam de senhor morto que, durante a sexta feira da paixão, o colocam para ser beijado pelos fiéis. E saí dali gritando e as freiras me seguravam para me acalmar.E o tempo passou e chegou o dia de eu fazer os votos perpétuos. Naquela noite teríamos que ficar em meditação até as dez horas da noite, rezando o ofício de Nossa Senhora, meditando no que seria as nossas vidas dali pra frente.Porém, de repente, ouvi uma voz me chamar. Comecei a tremer de medo, fiquei arrepiada e procurei pensando que fosse alguma colega e não era. E, assim, na porta, da entrada da capela, bem no alto, tinha uma cruz muito grande com um Cristo preso a ela num tamanho natural de um homem.E, quando olhei para aquele Cristo, ele que fica sempre com o rosto pendido para o lado, estava com a cabeça firme, erguida com os olhos piscando; mexia os dedos num jesto de chamar e dizia:´Olha para mim, vem cá!`E comecei a gritar, e com muito medo a dizer que eu não queria ir para ele. E gritando desta forma, aquelas pinturas do rosto dele tornaram-se real, aquela marca de sangue no rosto dele também começou a jorrar e caia pelo chão e as freiras que vieram me socorrer passavam por baixo daquela porta e sujavam-se no sangue que escorria pelo chão.E eu saía correndo, porque eu dizia ´Não me toque, sua mãos estão sujas de sangue` e elas me cercaram e me seguraram e esfregavam meu rosto no chão e diziam: ´veja que aqui não tem sangue`.Porém era real; eu via aquele sangue.Elas não conseguiam ver. Algo sobrenatural e aterrorizador. E, então, a madre superiora me procurou para me informar que eu não poderia fazer os votos perpétuos. Ela dizia: ´Dalva, você não vai vestir o hábito de freira e vai passar um ano fora.Se você melhorar , você terá outra oportunidade de fazer os votos.SEGUNDA PARTE Quando saí do convento, a madre superiora entrou em contato com minha tia para aconselhar que eu deveria ser analisada por um psiquiatra.Por três meses estive me consultando com psicólogos e psiquiatras e eles constataram que eu não necessitava de tratamento. Segundo eles, eu não tinha nenhum problema mental. A psicóloga disse que meu problema era de ordem espiritual e nada podia fazer. E algumas coisas vieram a acontecer no nosso apartamento.Pedrinhas e alfinetes eram jogados em mim, por onde eu passava. Até no banho isso acontecia. Era impossível que alguém estivesse jogando aquelas pedrinhas pois o nosso apartamento ficava no 20º andar.E a empregada dizia que eram os guias que faziam isto. Os espíritos que jogavam as pedras e alfinetes e que eu precisava procurar um centro espírita para resolver . Ela até ameaçou pedir as contas se eu não buscasse ajuda lá. E fui ao centro espírita de mesa branca Allan Kardec, na Estrada dos Remédios.O médiun, mentor, disse que quem fazia aquilo eram espíritos que não tomaram conhecimento que haviam morrido e sentiam-se donos do apartamento. E ele falou várias coisas, muitas mentiras que eu acreditava. E, no centro espírita, encontramos os espíritos que chamam de espíritos familiares.Em Jó, na palavra de Deus nos diz que aqueles que descem à sepultura jamais voltam. Mas o diabo me ensinava a mentira sempre. Em Is 18:19 encontramos que não devemos consultar os mortos. Malditos são os que fazem isto. O que acontece é que , do mesmo jeito que Deus põe os anjos ao redor dos que o seguem, o diabo também põe seus demônios ao redor dos seus. Estes demônios, quando a pessoa morre, toma todas suas características para se passar pelo que morreu.E, infelizmente, muitos acreditam que são os mortos que retornam. Ali, no espiritismo, passei 4 anos. Me transformei em serva do diabo. Dali, então fui encaminhada à ubanda. Lá incorporei demônios que pensava que eram espíritos. Fiz trabalhos em encruzilhadas, bebia sangue e participava de suas festas.Após 5 anos de ubanda, eu já me desenvolvera muito naquelas práticas e me mandaram para um lugar mais forte. Me mandaram para o candoblé, para me consagrar ao diabo. Passei pelo roncór, mataram animais em cima do meu corpo e bebi sangue. Lá, no candoblé, o diabo se manifesta mais sem se disfarçar muito.Ele nos leva a comer coisas imundas e chegamos ao mais baixo nível de higiene. Participei de festas e fiz trabalhos nas encruzilhadas.O diabo havia me tirado todo sentimento. Meu coração ficou duro, frio. Eu que era rica, uma rica fazendeira de Alagoas, perdi tudo. Fiquei 7 anos aprendendo para ser mãe de santo. Em Arapiraca, abri meu primeiro terreiro.Eu não tinha felicidade, chorava muito, escondida no meu quarto. E, então, procurei ingressar na magia negra. Na magia negra, ao acender uma vela, à meia noite, eu conversava com o diabo. Ele me aparecia em forma de um homem muito bonito e inteligente. Não é como muitos pensam. Perguntei a ele por que ele pedia tantas velas. Ele disse que não tinha luz nele e que ele não encherga sem as velas.Onde uma vela se acende para ele, ele e os seus companheiros se reúnem. É bom esclarecer aqui que as velas acendidas quando se falta energia não tem mal algum. Só as que são consagradas a ele e acendidas para os mortos.E continuei a perguntar ao diabo o seguinte: Por que aquelas imagens de escultura do convento se mexiam para mim e tentavam até me tocar? Ele deu uma gargalhada e me disse que era ele que ficava dentro ou atrás delas ouvindo os pedidos para depois tentar atende-los. Ao ser atendidas as pessoas o buscavam mais.Quando alguém buscava nas imagens, na realidade estava buscando a ele sem saber. Três anos antes de aceitar a Jesus, eu acendi uma vela para um demônio chamado temposarar, bem no portão do candoblé. Foi quando passou um senhor que foi até a esquina e voltou e parou bem em frente ao portão e, em minha direção, e estendeu sua mão com o dedo para mim e disse: A mão de Deus está na sua cabeça.Me assustei, ri e disse que Deus não se preocupava comigo, sou feiticeira. E ele disse que quando chegou na esquina, Deus lhe mandou dizer-me que Ele ia me tirar dali e tinha um grande plano para mim. Pensei que ele estivesse bêbado.Continuei no candoblé. Mas, tive uma filha que foi acometida de muitas enfermidades e o médico me orientou a deixar todas as minhas atividades para me dedicar totalmente a ela. Tentei deixar o candoblé e não consegui pois o diabo não me deixou. Meu marido, que nascera num lar cristão, naquele período, resolveu se entregar a Jesus e, nos ciclos de oração, começou a orar por mim, para que Deus destruísse aquele domínio que o diabo tinha sobre mim. Ele ficou 15 dias em jejun e em oração.E, no candoblé, aconteceu que todos começaram a se desentender e me deixaram só, uma mãe de santo abandonada sem ajudantes. E fechei o terreiro e fui para casa. E toda vez que meu marido ia ler a bíblia para mim o demônio se manifestava ou eu desmaiava por 3 ou 4 dias. Isso aconteceu por três meses sofrendo desta forma porém Deus começou a operar. E o diabo veio para mim e exigiu que eu fizesse um trabalho e ele ainda queria a vida da minha filha. Não aceitei. E minha filha piorava em doenças.O diabo me chicoteava e meu corpo ficou como de uma leprosa. Quando cheguei no pediatra com minha filha, ele disse que quem precisava de tratamento era eu. As doenças de minha filha, quando eu chegava lá, eram escondidas por satanás.E meu marido me lembrava que a Palavra adverte que os feiticeiros não entram no reino de Deus e aquela palavra me martelava na mente.Ele deixava sobre a geladeira o endereço da igreja para que um dia eu fosse. E minha mãe, que era uma serva de Deus me lembrava que Jesus está voltando. E quando olhei para minha filha pude ver um demônio agarrado a ela com suas mãos e unhas enfiadas no seu pescoço. Resolvi correr com ela para a igreja.Eu dizia, com ela nos braços: Jesus dos crentes, não deixa que minha filha morra. Ela estremecia pois o diabo estava tentando mata-la antes que eu chegasse na igreja. Entrei na igreja correndo e joguei minha filha no colo do pastor e pedi:Ore por ela. Se o senhor tem poder, cure minha filha. Ele disse me que não tinha poder mas Jesus tinha. E o demônio fugiu daquela oração. Minha filha foi me entregue sorridente.E o Espírito Santo tocou meu coração. E chorei copiosamente e as lágrimas se derramavam. E naquela noite, minha irmã, que era paralítica, andou. E eu tinha um demônio na minha perna em forma de câncer. Era, na realidade, uma legião.E apareceu-me um monstro sobre mim que não queria me deixar e vi algo maravilhoso: uma mão a tira-lo de perto de mim. Pude ver que na mão havia uma marca de um cravo em sua palma. A mão que o homem disse ter visto sobre minha cabeça, eu tenho certeza. A mão de Jesus. E, ali, me entreguei a Ele e tive a oportunidade de sentir novamente uma alegria no meu coração.

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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Vivemos ávidos de felicidade

Ricardo Gondim



Ébrios, buscamos a felicidade; encarnamos personagens pascalinos – “Até os suicidas se enforcam na ânsia de serem felizes”. Os parachoques de caminhão ensinam que "dinheiro não traz felicidade". O contrário, menos popular, também é verdadeiro: Esmolamos qualquer dinheiro para ser felizes. A felicidade ganharia qualquer concurso como padroeira última e maior da existência.
Por anos imaginei que bastaria professar a fé cristã para, automaticamente, encontrar um Nirvana de delícias. Contudo, aprendi, ao longo dos anos, que muitos cristãos, na verdade, nunca experimentaram nenhuma nesga do Paraíso.
Aliás, já deparei com não cristãos gozando uma vida mais ajustada, mais redonda, mais plena do que muitos piedosos. Pastores e sacerdotes deveriam ser mais claros e avisar: A fé cristã não significa felicidade automática.
Há pouco, ouvi um programa evangélico alardeando: “Se você passa por dificuldades, se tem tribulação, basta dizer sim para Jesus e será feliz”. Sem gaguejar, o pregador declarou: “Deus está à sua disposição. Ele quer lhe tirar do sufoco". Depois emendou: “Repita a oração que eu garanto, sua vida será transformada em um piscar de olhos”.
Basta uma semana em qualquer comunidade evangélica para constatar que não acontece assim. Inúmeros convertidos lutam contra miséria em periferias urbanas. Os mais favorecidos não entendem o porquê de mesmo com folga financeira continuarem angustiados, apavorados, sufocados por dívidas no cartão de crédito, ansiosos, irritadiços, insones e nervosos. A pregação, “se converta e você será feliz” é tão falsa quanto um diamante vendido por vinte dólares.
Vida abundante não se acha, é construída. No Sermão da Montanha, os bem-aventurados são chamados de "felizes" não porque passaram por uma experiência mística ou esotérica, mas como resultado do jeito que vivem.
Felicidade não cai do céu. Não vem de fora para dentro, mas flui de dentro para fora. Anjos não brindam as pessoas com alegria. Na cartilha de Jesus o caminho é outro. Buscar o reino de Deus e sua justiça faz brotar os ingredientes que geram felicidade. Para ele, felicidade nunca é estação, mas maneira de viajar.
Eis o motivo porque ser feliz parece difícil. Os caminhos que conduzem a um patamar mais excelente passam por ações pouco atrativas. Quem se arrisca preferir os outros ou esvaziar-se do sonho de virar um semideus? Humildade, indisposição para a arrogância são o contraponto do Evangelho. Daí: “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus”.
Cristo foi diretivo: “Aprenda a chorar”. Paradoxal ao mundo, felicidade tem a ver com sensibilidade, ternura, fragilidade. Por isso: ”Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”.
Também insistiu em um tema pouco popular: “Queira ser manso”. Jesus entendia que mansidão significa abrir mão de reivindicar prerrogativas egoisticamente; significa desistir de querer sempre ganhar. Por isso: “Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra”.
Cristo indicou o código para uma mente tranquila. “Atreva-se a amar o que é digno”. Os que almejam a felicidade devem, em todos os atos, fazer sempre a pergunta: “Será que isto é justo?”. Para ele, quem ama a justiça e nutre um desejo enorme de vê-la praticada, será feliz. Então: “Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça porque serão fartos”.
As palavras de Jesus ainda ressoam: “Queira ser misericordioso para com os fracos, paciente com os que não conseguem alcançar seu padrão e compreensivo com os que se atrasam, fracassam e tropeçam em seus próprios erros”. A atitude empática para com os derrotados desemboca na felicidade. Tal pessoa encontrará compreensão no dia em que precisar, portanto: “Bem-aventurados os misericordiosos porque eles encontrarão misericórdia”.
Jesus convocou seus seguidores a serem coerentes: “Busque ser limpo de coração”. Não permita sombras, caminhos dobres, torpeza, hipocrisia, falsidade ou dolo. Para ele, quem vive uma vida honesta, será feliz. E sua declaração chegou às raias da mais esplêndida ousadia: “Bem aventurados os puros de coração porque eles verão a Deus".
Jesus incentivou a concórdia e ordenou que se promovesse a paz: Não seja agente de cizânias, jamais catalise ódios, não suscite a vingança e nunca espalhe dissensão. Reconcilie os que se odeiam, reuna os diferentes, promova o amor e você será feliz. Daí o texto: “Bem aventurados os pacificadores porque eles serão chamados filhos de Deus”.
Ele aconselha a seus seguidores que sejam pessoas de idéias nítidas, convicções sólidas, pontos de vista verdadeiros. Se essa postura trouxer o ódio alheio e se sua fé não for bem aceita, continue, a história premiou todos os que se comportaram assim. Os claudicantes, os pusilânimes, os covardes jazem nos armazéns do Hades. Ninguém lembra o opressor, os perseguidos são lembrados. O texto reza: “Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e mentindo disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós”.
Felicidade não é circunstancial, ponto final.
Soli Deo Gloria