quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Megalomania ou ingenuidade?

É curioso: tentam sempre entender o lado dos criminosos, das minorias, dos terroristas, dos pobres, mas jamais vi que tentassem entender os motivos dos conservadores, da classe média ou dos "fundamentalistas cristãos".
Enquanto aguardava uma consulta médica, meus olhos caíram sobre uma revista chamada "American Prospect". É uma revista progressista americana. A edição, como é natural em salas de espera, era de vários anos atrás, mais precisamente dois anos atrás, logo antes da inauguração de Obama. O título exultava com o fim da era Bush, e perguntava: "O que fazer para resolver os problemas da América e salvar o mundo."
Desnecessário dizer que a manchete, como a reportagem, era absolutamente séria, sem qualquer pingo de ironia.
Nunca sei se atribuir o pensamento progressista à megalomania ou à ingenuidade, ou a uma indigesta mistura de ambas. O progressista acredita piamente que suas políticas insanas não só melhorarão, como salvarão o mundo. Aliás, a única coisa que impede o avanço da História em direção à perfeição igualitária são os malditos reacionários, pessoas que precisam ser eliminadas a qualquer custo, pessoas que nem mesmo têm direito à sua opinião. O explosivo comercial ecológico (ver abaixo) é apenas o último e mais extremo exemplo dessa tendência, mas há muitos outros. Baste observar como a esquerda exulta com a inexistência de candidatos de direita em uma eleição. Parece-lhe o justo e o correto. Não entendem a possibilidade de qualquer comportamento ou crença contrária aos seus dogmas: quem não pensa com o grupo é, por definição, o inimigo a ser eliminado. Aperte um botão: bum!

Não é que os progressistas sejam todos malvados. Muitos até que são pessoas decentes. É simplesmente que enxergam as coisas de forma parcial: na sua dicotomia mental, quem não é a favor do "progresso" só pode ser um canalha racista que odeia os gays ou a Natureza. É simplesmente que - logo eles que tanto valorizam o Outro, o Diferente! - não conseguem enxergar alguém que não seja progressista como Outro. É curioso: tentam sempre entender o lado dos criminosos, das minorias, dos terroristas, dos pobres, mas jamais vi que tentassem entender os motivos dos conservadores, da classe média ou dos "fundamentalistas cristãos".

Em um artigo de um importante jornal italiano, um jornalista de esquerda observou a falta de representantes da direita nas eleições presidenciais brasileiras e - acredite - afirmou que esse deveria ser o exemplo a ser seguidopela Europa. Do ponto de vista do progressista europeu, a corrupta política brasileira é que estaria virando um modelo de civilidade, sem os maldito reacionários que tudo atrasam.

O outro lado da moeda do progressismo é sua extrema ingenuidade. Aqueles que apontam Brasil ou Venezuela como modelos normalmente vivem muito longe e não conhecem de perto a realidade. Como, naturalmente, as políticas progressistas pouco fazem para salvar o mundo, aliás, em geral só o pioram, o progressista só pode concluir que, ou o mundo ainda não foi à esquerda o suficiente, ou então são de novo os malditos direitistas que estão bloqueando a passagem. A solução, assim, é repetir de novo os mesmos erros, na esperança que desta vez dê certo. Essa, aliás, é a mesma definição da loucura.





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