terça-feira, 2 de novembro de 2010

Fim ou recomeço? (2)


Em 1945, ano em que o nazismo foi derrotado, muitos alemães sobreviventes procuravam por veneno, por uma pistola e por outros meios de pôr fim à vida. Suicídios, causados por depressão diante da catástrofe, ocorriam todos os dias — isso, de certo modo, nos ajuda a compreender o que acontecerá por ocasião da Grande Tribulação: “Naqueles dias os homens buscarão a morte e não a acharão; também terão ardente desejo de morrer, mas a morte foge deles” (Ap 9.6, ARA).


Ninguém imaginava que seria possível um recomeço. Nunca, no mundo moderno, um país fora derrotado de forma tão completa como a Alemanha comandada pelo insano Adolf Hitler. Não nos esquecemos do Holocausto; ele não é um mito, como debocha o igualmente louco presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad. Milhões de judeus foram, sim, brutalmente executados. Mas não podemos ignorar que Hitler massacrou também o próprio povo alemão, expondo-o à barbárie, sobretudo nos últimos estágios da guerra.




Ao fim da Segunda Guerra Mundial, milhões de soldados alemães tinham sido mortos ou feridos, e havia outros milhões nos campos de prisioneiros de guerra dos Aliados. Os transportes estavam paralisados. O fornecimento de gás e de eletricidade, cortados. Os sistemas de telecomunicações, de água e de esgoto não funcionavam. Praticamente não havia alimento, e muita gente corria o risco de desnutrição.




Cidades inteiras estavam destruídas. As doenças proliferavam, e os serviços médicos foram seriamente prejudicados. Cerca de 26 milhões de alemães tinham perdido suas casas nos bombardeios, ou porque haviam fugido, ou sido expulsos. Vínculos familiares foram rompidos, já que milhões de pais de família estavam mortos, desaparecidos ou em campos de prisioneiros de guerra, e milhões de sobreviventes procuravam desesperadamente por parentes.




A situação dos alemães, em 1945, talvez fosse pior do que a dos haitianos que sobreviveram ao grande terremoto ocorrido em seu país no início deste ano. Mas a Alemanha se reergueu, em algumas décadas, e hoje é um país-modelo, a terceira economia do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e Japão! O Portão de Brandenburg, em Berlim (foto) — onde eu estive recentemente — é um símbolo do recomeço alemão.




Na vida, ante as dificuldades, podemos escolher o fim ou o recomeço. Os alemães escolheram recomeçar, ainda em 1945. Os judeus, massacrados na Segunda Guerra, também recomeçaram, em 1948. Os japoneses tiveram um novo começo. Famílias recomeçaram. Pessoas sem família recomeçaram. Mutilados recomeçaram. Mulheres e crianças desamparadas recomeçaram. E qualquer um de nós pode recomeçar, principalmente aqueles que contam com a Ajuda do Alto (Hb 13.5,6).




O mundo continua em guerra, e o Brasil, dominado pela corrupção. Para piorar, as tragédias não param de acontecer... Como temos reagido às grandes decepções da vida? É possível que você esteja enfrentando grandes angústias agora, talvez por causa da perda de um ente querido, de um sonho que não se realizou, de uma enfermidade... Mas não aceite o fim. Recomece!




Em meio às lutas, façamos nossas as palavras dos profetas Miquéias e Habacuque. O primeiro disse: “Eu, porém, esperarei no Senhor; esperei no Deus da minha salvação: o meu Deus me ouvirá” (Mq 7.7). E o segundo: “todavia eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação. O SENHOR Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça” (Hc 3.18,19, ARA).




Ciro Sanches Zibordi

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