segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Graças a Deus Pela Vida de Lutero!



31 de outubro de 1517, o monge agostiniano, Matinho Lutero, prega as famosas 95 teses na porta da Igreja do Castelo Wittenberg, Alemanhã. Aqui dá-se início à Reforma Protestante, evento que emergiu no norte da Europa, denunciando as distorções no esfera religiosa e secular. Esse movimento ocorre concomitantemente à Alta Renascença, ao sul. Uma distinção entre esse dois eventos precisa ser destacada. Enquanto a Alta Renascença defendia o humanismo, filosofia que centrava o homem como sujeito autônomo e centro de todas as coisas, a Reforma Protestante apontava para Deus, prescindindo da autonomia da razão humana.
Minha intenção com este texto não é aprofundar-me na importância da Reforma Protestante, porém, preciso dizer ainda sobre o valor da mesma que ela aprendeu com o movimento da Alta Renascença a aplicar uma visão crítica a tudo o que deveria, anteriormente, ser aceito sem questionamento. Desse modo, tudo o que minava a Igreja de Cristo passou a ser denunciado. Esse senso crítico renascentista e reformista deve ser privilegiado em todas as épocas. Principalmente hodiernamente, visto que o caos está estabelecido…
Dito essas coisas, preliminarmente, volto-me para o “alvo” que me motivou a começar a escrever esse texto: Martinho Lutero.
Será que alguém, no meio protestante e evangélico, nega que Deus tenha usado esse homem para denunciar os abusos da Igreja de seu tempo? Acredito que não! No entanto, é certo que a maioria das pessoas ligadas ao protestantismo e à fé evangélica tem uma idéia romântica sobre esse personagem. Muitos dos que falam de Lutero como o grande herói da Reforma Protestante, via de regra, não apresentam esse homem segundo os modos dele, suas crenças e teologia em um sentido mais amplo. Daí gerarem um conhecimento deturpado a respeito dele.
Vamos a alguns fatos.
Martinho Lutero e Ulrich Zwinglio
Zwinglio foi o líder da reforma na Suiça. Ele era um erudito humanista e foi o primeiro teólogo da tradição Reformada, mesmo sem ser um doctor biblicus. Ele era contemporâneo de Lutero  e de muitos modos eles diferiam entre si.
As diferenças entre ambos criaram uma série de situações constrangedoras e anti-cristãs.
Lutero era, digamos, um cismático por natureza. Na Conferência de Marburgo, de 2 a 4 de outubro de 1529, Zwinglio e Ecolampádio debateram com Lutero e Melanchthon artigos de fé. Dos quinze submetidos ao debate, em quatorze eles concordaram, porém, no que tange à Santa Ceia, o décimo quinto, eles discordaram e, “Lutero se separou da Reforma Suiça, e para sempre.” [1]
Quando soube da morte de Zwinglio na Batalha de Kappel, Lutero teria se alegrado com tal fato e, teria dito que a morte de Zwinglio aconteceu por este ser ladrão, rebelde e por levar a muitos ao erro.
Franz Lau diz que as acusações e ofensas de Lutero a Zwinglio foram injustas.
Martinho Lutero e os Judeus
Muito embora Lutero nem sempre fosse anti-semita, o fato é que ele se tornara tal coisa. Ele disse: “Resumindo, caros príncipes e nobres que têm judeus em seus domínios, se este meu conselho não vos serve, encontrai solução melhor, para que vós e nós possamos nos ver livres dessa insuportável carga infernal – os judeus.”[2]
Há quem diga que essas palavras, como outras, lançaram os fundamentos do Terceiro Reich.
Martinho Lutero e a Virgem Maria
Lutero falou sobre a intercessão de Maria como quem confiava nela. No Comentário do Magnificat ele diz:
”Peçamos a Deus que nos faça compreender bem as palavras do Magnificat… Oxalá Cristo nos conceda esta graça por intercessão de sua Santa Mãe! Amém.”[3]
Sobre o Comentário do Magnificat, Lau diz: “um maravilhoso livrinho de edificação, a interpretação do Magnificat já fora iniciado até o período agitado que precedeu Worms.”[4]
Martinho Lutero e a Braugerechtigkeit
Braugerechtigkeit [impronunciável?] não é nenhuma expressão teológica, mas é o nome dado a cerveja caseira que Lutero bebia. O reformador tinha em sua casa uma fábrica de cerveja e a tomava regularmente. Lau cita também a marca Einbecker como uma marca famosa apreciada por Lutero, dentre outras. Muito embora fosse chegado a uma cerveja, Lutero nunca foi um alcoólatra.
Martinho Lutero e seu Comportamento
Franz Lau diz duas coisas sobre o comportamento de Lutero:
  • Ele era grosseiro;
  • Quanto à polêmica com Roma, ele chegava a ser torpe, pois criava ilustrações esdrúxulas do Papa: “asno de papa” e “porco de papa”.
Considerações Finais
Eis aí parte do outro lado de Lutero que muitos não conhecem. Quando eu falo, muitos não conhecem, eu quero dizer muitos mesmo. Eu não sei porque não se fala sobre Lutero de maneira holística. Sempre apresentam essa figura extraordinária como o “grande desafiador da apóstata Igreja Medieval.” Se duvida, leia os artigos dos blogs e sites protestantes e evangélicos que se lembraram dessa data. Eu não acredito que alguém, mesmo sem essas informações, pense em um Lutero perfeito. No entanto, do ponto de vista do conhecimento histórico, a falta dessas informações limitam uma reflexão mais aprofundada da ação do Espírito Santo na vida de Lutero e na eclosão da Reforma Protestante.
Não há demérito em falar dos defeitos de um homem como Lutero que pode perfeitamente fazer parte da galeria dos heróis da fé. São homens desse naipe a quem Deus usa. A Bíblia mostra Davi como um homem segundo o coração de Deus e revela suas muitas fraquezas e erros. Saber um pouco dos defeitos de Lutero coloca-o, em nossa retina,  mais ainda como coadjuvante no processo reformista e exalta o Espírito Santo como o protagonista.
Bom, Lutero foi sim o grande reformador alemão que a história diz que ele foi, mas ele foi também o homem nada “santo” que a mesma história diz que ele foi.
Graças a Deus pela Reforma Protestante!
Graças a Deus pela vida de Lutero!
Por Pr. Zwinglio Rodrigues
Referências
[1] LAU, Franz. Lutero. São Paulo: Editora Sinodal, 1983, p. 83.
[2] Martinho Lutero: A respeito dos judeus e suas mentiras, pp. 34-36.
[3] Martinho Lutero, “Comentário do Magnificat”.
[4] Lau, p. 60.

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